Ministro Abraham Weintraub diz que vai manter reuniões bilaterais e que 'nada vai ser interrompido ou atrapalhado'.

Nos bastidores do Mercosul, representantes dizem que país não pode deixar formalmente apenas uma câmara temática enquanto for membro pleno do bloco.

O anúncio feito pelo Ministério da Educação (MEC) de que deixará de integrar o grupo de trabalho que discute educação no Mercosul não tem impactos imediatos para os estudantes brasileiros e também não foi ainda formalizada oficialmente para o bloco.

Brasil deixará grupo de trabalho sobre educação do Mercosul, diz ministro A medida não interfere, por exemplo, na revalidação de diplomas, já que os processos são estabelecidos em regulamentos nacionais, como anunciado na quinta-feira para os médicos formados no exterior. Fontes ligadas à direção do Mercosul ouvidas pelo G1 informaram que o bloco não foi notificado formalmente.

Além disso, explicam que não há possibilidade de o país deixar oficialmente de integrar apenas uma câmara temática enquanto for membro pleno do Mercosul. O que pode ocorrer, de acordo com as fontes, é que o MEC, na prática, deixe de frequentar a “Reunião de Ministros” que é realizada semestralmente no país que detém a presidência do Mercosul.

Neste momento, o Brasil detém a presidência temporária do bloco. Na manhã desta sexta-feira (29) a reunião foi realizada em Brasília.

Weintraub disse que além dele, apenas o ministro paraguaio participou.

A Argentina enviou um representante diplomático e o Uruguai não participou. Nos bastidores, a ausência dos países do cone-sul não é tida como anormal, já que há momentos em que os encontros podem ser afetados pelas movimentações políticas regionais.

Argentina e Uruguai passaram recentemente por eleições e há mudanças nos ministérios. No fim de outubro a Argentina elegeu um novo presidente, Alberto Fernández.

Os ministérios estão em processo de transição e ainda não foram completamente constituídos.

Já o Uruguai foi às urnas no domingo (24) e a vitória de Lacalle Pou como novo presidente do país foi anunciada nesta quinta (28). Efeitos para os estudantes Para o coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, a decisão tem pouca influência nas políticas educacionais cotidianas e não deve interferir na vida dos estudantes, mas comentou que a decisão fragiliza o bloco. "Na prática, determina uma fragilização do Mercosul como um espaço de identidade regional, como é a União Europeia.

Vínculo se constrói com educação, Ciência e cultura.

Foi isso que Weintraub abandonou" - Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação O próprio ministro defendeu, em coletiva de imprensa, que "nada vai ser interrompido ou atrapalhado" e que a saída das reuniões busca a eficiência da gestão. Gastos das reuniões Weintraub argumentou que as reuniões bilaterais têm custos, mas “têm começo, meio e fim e um objetivo claro”.

Questionado sobre os valores que serão economizados com o fim dessas reuniões, o ministro disse que o ministério “está levantando”. “Aparentemente, é um volume significativo nesses 28 anos de Mercosul.

Estamos falando de uma coisa com R$ 30 milhões, mas é um número oficioso, não oficial” - Abraham Weintraub Saída anunciada pelo MEC De acordo com o Ministério da Educação (MEC), a decisão de que o Brasil deixará de integrar o Mercosul Educacional passa a valer já na sexta-feira e o país passará a realizar reuniões bilaterais para tratar da Educação diretamente com Argentina, Paraguai e Uruguai. "Não há resultados concretos para mostrar", disse o ministro da Educação.

"Depois de 28 anos que o Brasil está participando na área educacional do Mercosul, a decisão do governo é começar a discutir apenas relacionamentos bilaterais." De acordo com o ministro, representantes do Paraguai e da Argentina foram notificados da decisão na manhã de sexta e receberam a notícia "sem problema nenhum" porque as relações bilaterais serão mantidas. Países do Mercosul assinam acordo de cooperação policial nas áreas de fronteira